Riscos Psicossociais na NR-01: o que mudou, o que a empresa precisa fazer e onde muitos estão errando

Riscos Psicossociais na NR-01: o que mudou, o que a empresa precisa fazer e onde muitos estão errando

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Atualização da NR-01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais consolidou uma mudança silenciosa, porém profunda, na forma como as empresas devem enxergar a gestão de riscos: os riscos psicossociais deixaram de ser um tema periférico e passaram a integrar, de forma inequívoca, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Apesar disso, grande parte das organizações ainda não compreendeu o alcance técnico, jurídico e estratégico dessa exigência — e é justamente aí que surgem os passivos trabalhistas, previdenciários e reputacionais.


🔍 O que são riscos psicossociais, afinal?

Riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais, às exigências emocionais e à forma de gestão, capazes de afetar a saúde mental e física do trabalhador.

Entre os principais exemplos, destacam-se:

  • Excesso de jornada e sobrecarga de trabalho

  • Pressão excessiva por metas e resultados

  • Falta de autonomia e controle sobre o trabalho

  • Assédio moral ou organizacional

  • Conflitos interpessoais constantes

  • Insegurança no emprego

  • Falta de clareza de papéis e responsabilidades

Esses fatores estão diretamente associados a adoecimentos como ansiedade, depressão, síndrome de burnout, distúrbios do sono e até acidentes de trabalho.


📘 O que a NR-01 exige sobre riscos psicossociais?

A NR-01 não trata os riscos psicossociais como algo opcional ou “subjetivo”. Pelo contrário.

A norma determina que todos os riscos ocupacionais, independentemente de sua natureza, devem ser:

  1. Identificados

  2. Avaliados

  3. Controlados

  4. Monitorados

Isso inclui explicitamente os riscos de natureza ergonômica e organizacional, onde os fatores psicossociais estão inseridos.

👉 Ou seja:
Se o risco existe no ambiente de trabalho, ele precisa constar no PGR.


⚠️ O erro mais comum das empresas

O erro mais frequente é tratar o risco psicossocial como:

  • um “tema do RH”

  • um problema individual do trabalhador

  • algo que se resolve com palestra motivacional

Nada disso atende à NR-01.

A gestão de riscos psicossociais exige abordagem técnica, integrada ao sistema de SST, com critérios claros, registros, evidências e plano de ação.


🛠️ Como os riscos psicossociais devem entrar no PGR

Uma abordagem técnica e defensável envolve, no mínimo:

🔹 Identificação

  • Análise da organização do trabalho

  • Entrevistas técnicas e observação de campo

  • Análise de indicadores (absenteísmo, afastamentos, rotatividade)

🔹 Avaliação

  • Classificação do risco conforme exposição, frequência e impacto

  • Correlação com funções, setores e jornadas

  • Registro no Inventário de Riscos Ocupacionais

🔹 Controle

  • Medidas organizacionais (revisão de processos, metas, jornadas)

  • Medidas administrativas

  • Integração com ergonomia e gestão de pessoas

🔹 Monitoramento

  • Acompanhamento contínuo

  • Revisão periódica do PGR

  • Integração com PCMSO e indicadores de saúde


⚖️ Riscos psicossociais e passivo jurídico

Ignorar ou tratar de forma superficial os riscos psicossociais expõe a empresa a:

  • Ações trabalhistas por dano moral

  • Reconhecimento de nexo causal em afastamentos

  • Atuação do Ministério Público do Trabalho

  • Autos de infração da Auditoria-Fiscal

  • Fragilidade técnica em perícias judiciais

Cada vez mais, perícias trabalhistas analisam a organização do trabalho, e não apenas agentes físicos ou químicos.


🎯 O papel da atuação técnica especializada

A correta gestão dos riscos psicossociais não se resume a preencher um campo no PGR. Ela exige:

  • Interpretação normativa adequada

  • Visão integrada entre SST, ergonomia e saúde mental

  • Capacidade de sustentar tecnicamente decisões

  • Produção de evidências defensáveis

É aqui que entra a Atuação Técnica Especializada, capaz de transformar a exigência normativa em proteção real para a empresa.


🧠 Conclusão: risco psicossocial não é moda, é gestão

Os riscos psicossociais não são uma tendência passageira. Eles refletem a forma como o trabalho é organizado e gerido — e isso está cada vez mais no radar da legislação, da fiscalização e do Judiciário.

Empresas que tratam o tema com seriedade reduzem passivos, fortalecem sua governança e protegem pessoas.
As que ignoram, pagam a conta depois.


📌 Como o Grupo Peritus atua

O Grupo Peritus oferece suporte técnico especializado na identificação, avaliação e gestão dos riscos psicossociais, integrando esse tema ao PGR, à Higiene Ocupacional, às perícias e à estratégia jurídica da empresa.

👉 Quando a decisão precisa de respaldo técnico, nós assumimos.